Pensamentos aleatórios dessa sexta-feira

Vitrines da Talitha Sá que me partem o coração porque sempre tem algo que quero comprar, livro de história da arte, fazer picolés em casa com forminhas e tudo, subir uma montanha fria cercada de pinheiros e ouvindo Fleet Foxes, deitar no chão e terminar mais um livro, tornar manicure um hábito, comprar uma calça nova e dois shorts, protetor solar, ler A Parisiense e minhas revistas Casa e Comida, ver um ortopedista, ginecologista, fazer compras só do que cozinhar no dia, aprender a andar de bicicleta, ver filmes e documentários de arte, estudar os grandes fotógrafos, comprar uma câmera de filme e testar vários rolos diferentes, experimentar.

Minha cabeça virou uma to-do list ambulante.

Aside

o luto que ninguém conta

extraído de conversas com amigos:

o luto é uma coisa estranha, você muda de personalidade, praticamente.
fica pensando no que poderia ter feito a mais, pra ela ser ainda mais feliz
e eu já fazia muito, muito mesmo, por ela
mas não dá pra evitar ficar pensando e repensando várias coisas.
ou tentando voltar à infância, a algum momento feliz e querer que o tempo transcorra a partir dele novamente.

fico comparando a idade dos outros na rua, com a idade dela
principalmente os mais velhos que ela, é meio automatico. não dá nem pra se sentir mal com isso.
o povo fala em fases do luto, fracionadas. eu vivencio quase todas num único dia. negação, raiva, barganha, depressão, culpa, tentativas de trabalhar e se ocupar funcionam por algum tempo, depois o foco se perde totalmente.

minha irmã mais nova ta melhor porque tentei muito colocar na cabeça dela o que tento colocar na minha: que a única coisa que alivia minimamente é saber que ela ficaria com sequelas e ela ODIARIA ficar assim. espero um dia pôr na cabeça que ela preferiu ir, sabe? foi assim que fiquei tentando falar pra minha irmã
ela tinha mais medo de ficar de cama, do que morrer, e sempre dizia isso.
embora eu tenha uns vários pequenos choques durante o dia, quando lembro que não posso chamar, não posso perguntar, não posso ligar. e todo dia vai ser assim… dói.

eu chego e tá tudo como deixei. até uma casca de alho que ninguém jogou no lixo. é tudo minha responsabilidade agora, cada partícula de poeira daquela casa.

acho que ninguém nunca vai entender a minha relação com ela, não era simplesmente mãe, que faz as coisas em casa…
era alguém que eu confiava plenamente. que se alegrava pelas minhas coisas como ninguém
não era aquele tipo de mãe padrão que o povo supera fácil e vem me falar coisas que não funcionam agora.
do tipo “a vida é assim mesmo” / “deus chamou, era a hora”
e na minha cabeça só escuto: “bullshit, bullshit, bullshit”
e porra, eu sou atéia. dói ainda mais porque você não acredita em muita coisa.
nem por isso é de se esperar que você siga normalmente com duas semanas
ou três, ou dez
então eu to cansada de ficar ouvindo isso, de se conformar, de seguir. não, não ainda
to tentando trabalhar sim, mas não é o tempo todo que vou estar ok pra tudo.

tudo que menciona “mãe” acaba te afetando, é incrível
vc fica com inveja de quem tem mãe e não valoriza, fica com vontade de dizer pras pessoas cuidarem mais das mães, que ela não vai tá lá o tempo todo
meu maior medo agora é sonhar que nada aconteceu, e acordar em seguida.
é muito estranho, muito ruim, muito difícil.

Gotye – Bronte

Now your bowl is empty
And your feet are cold
And your body cannot stop rocking
I know
It hurts to let go

Since the day we found you
You have been our friend
And your voice still
Echoes in the hallway of this house
But now
It’s the end

We will be with you
When you’re leaving
We will be with you
When you go
We will be with you
And hold you till you’re quiet
It hurts to let you go

We will be with you
You will stay with us

17 dias sem minha mãe. Esse é o maior tempo que passamos longe. E só vai aumentar… Dói tanto.

carry on, carry on

…as if nothing really matters.

Dois dias em que preciso levar minha mãe ao pronto atendimento e vê-la sofrer foi tão horrível que não sei de onde tirei forças pra aguentar e agir… Ela finalmente conseguiu dormir por algumas horas hoje, depois de injeções e clonazepam.

Fico pensando se isso acontecerá com mais frequência a partir de agora, ela está com 57 anos. Espero que viva mais uns 35, 40 anos, ativa e feliz. Sei que pode não ser assim, mas pretendo cuidar pra que seja.

Acordei num susto terrível pensando que ela estava me chamando, chorando, mas era um bêbado subindo a rua e choramingando. Fui ver e ela continuava dormindo. Um alívio monstruoso.

cansaço

Não se passa uma semana sem que eu pense em desistir do título de fotógrafa. Nessa, um erro estúpido e me sinto um fiasco, uma farsa.
Tanta coisa pra administrar, cansa só pensar em fazer uma lista. Pra uma procrastinadora como eu, pior. Quantas partes do negócio vou precisar começar, parar e retomar tempos depois? Já li muito mas não chega a 1% do que deveria ter lido. Workshops tão caros quanto uma lente nova. A prática precisa ser aprendida em campo, trabalhando de verdade… Os problemas que aparecem o tempo todo, esses preciso aprender a contornar – e rápido. Enquanto isso, a ideia de fake until you make it ri na minha cara toda semana.

gargalhando na segunda

Tamie: ontem eu vi no instagram uma rabanada banhada em laranja + mel
PIREI pra fazer aquilo. tu falou das laranjas e lembrei

Allana: rapz
hehehe tenho meus preconceitos
mas provo de buenas

Tamie: oxe tá linda na foto
até tirei print no celular
hehehehe

Allana: é que pão ovo leite laranja
deve ser uma bomba doce

Tamie: pelo que entendi, é no lugar do leite, o suco

Allana: e a textura?
deve ficar esponjosa não?

Tamie: BITCH DON’T KILL MY VIBE
AHUAHUAHUEUHAHUHAUHEHUAUHHAHUHAHUHAH
eu vou testar e te falo

Allana:

HAUHUHUAHUAHUHUAHUAHUAHUAHUAHAUHAUHAUHAUHAUAHHUAHUAHUAHUAHA
UHAUHAUHAUHAUAHHUAHUAHUAHUAHAUHAUHAUHAUHAUAHHUAHUAHUAHUAHAU
HAUHAUHAUHAUAHHUAHUAHUAHUAHAUHAUHAUHAUHAUAHHUAHUAHUAHUAHAUH
AUHAUHAUHAUAHHUAHUAHUAHUAHAUHAUHAUHAUHAUAH
ai deus

bom dia, dois mil e catorze.

Dois anos de hiatus. Não dá nem pra chamar assim.

Dois anos bem corridos. Interessantes, também. Muitas viagens a Recife (com o foursquare amor me indicando ótimos lugares), baladinhas felizes com Allana no Recife Antigo, saídas com Keith e pernoites em Ana. Muitos livros novos e filmes do Myazaki, experiências na cozinha, macarons fail (com nova tentativa em breve), muitas tortas de maçã e até blooming onions. Tardes no Fotolab com as melhores companhias que a universidade pode me dar. Uma monografia concluída com a nota máxima. Felicidade de finalmente contar com o apoio da professora mais querida como orientadora.

Viajei um pouquinho: Natal, RN em 2012. Fernando de Noronha, PE, em 2013.
Dois lugares incríveis, inesquecíveis. Fernando de Noronha vira sua cabeça de um jeito que você começa a traçar planos para morar naquele paraíso pelo resto da vida. Mas a rotina do nativo é bem mais dura que a do turista. E voltar com olhos sempre deslumbrados é um plano ainda melhor.

Ao mesmo tempo que concluía o bacharelado em Design durante 2013, me descobria numa carreira nova. Fotografar casamentos começou por brincadeira na festa de uma amiga (abr/2012), e no final do mesmo ano virou profissão; com orçamentos, contratos e estudos. Estou investindo tempo, dinheiro e fé. E me divertindo ─ apesar de algumas crises ansiosas, caindo na armadilha de me comparar a fotógrafos experientes e consolidados. Mas no fim, é algo bom se você consegue sair do estado de choque, e tenta crescer, aprender… Evoluir. Essa é a minha maior resolução para este ano, aprender tudo o que eu puder, o tempo todo. E não falo só de técnica ;)

++ Resoluções:
Fotografar em filme + upgrade no equipamento
Novos workshops na área
Fazer macarons
Conhecer três lugares novos
Ler 30 livros
Aprender a dirigir
Tirar passaporte
Tattoo
Tight Lacing
Fazer aula de Pilates o ano todo

É difícil não abraçar o mundo com listas (como costumo fazer). A ideia foi manter esta aqui bem sóbria e focada no que posso fazer para melhorar meus dias e a minha vida. Um pé na nuvem, o outro no chão.