A Antibiblioteca

“O escritor Umberto Eco é proprietário de uma grande biblioteca particular (contendo 30 mil livros), e separa as pessoas que o visitam em duas categorias: Aqueles que reagem com “Uau! Signore professore dottore Eco, que biblioteca o senhor tem! Quantos desses livros o senhor já leu?”, e outros – uma pequeníssima minoria – que entendem que uma biblioteca particular não é um acessório pra levantar o ego do seu proprietário, mas uma ferramenta de pesquisa.

Livros não lidos não são menos importantes do que livros já lidos. A sua biblioteca deve conter mais o que você ainda não sabe do que você já sabe. Você irá acumular mais conhecimento e mais livros à medida que envelhece, e o número crescente de livros não lidos em sua prateleira será ameaçador.

Sem dúvida, quanto mais você sabe, maior sua lista de livros não lidos. Vamos chamar essa coleção de livros como uma antibiblioteca.

Nós tendemos a tratar o conhecimento como uma propriedade pessoal que deve ser protegida e defendida. Ele é um ornamento que nos permite subir na hierarquia social. Assim, essa tendência a ofender a sensibilidade da biblioteca de Eco concentrando-se no conhecido é uma parcialidade humana que se estende às nossas operações mentais.”

Nassim Nicholas Taleb, A lógica do cisne negro

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11 thoughts on “A Antibiblioteca

  1. oh! mudou o layout aqui tamie? ficou mais clean, adoro coisinhas clean :)
    gostei do texto, eu tenho um número de livros não lidos na prateleira, ameaçadores, e eu tinha me programado até, dizia sempre quando comprava: ‘não irei comprar outro enquanto não ler esse aqui’. aí eu ia e comprava -e não lia- e agora tenho uns 15 títulos esperando esperançosamente que nessas férias eu os leia, mesmo que não à todos, mas enfim :/

    :*

    • Tamie says:

      mudei rapidinho, enquanto não chegam as férias e eu faço algo novo :)
      minha wishlist e a pilha de não lidos estão assustadoras, mas eu fico contente que exista tanto pra se ler!
      acho que tenho uns 15 livros me esperando também, fiz até uma lista, vou postá-la…
      fiquei feliz agora que vi um endereço seu! vou correndo ler ;)

  2. Complicada essa questão, né? Acho interessante usar uma super biblioteca como fonte de pesquisa, mesmo que você não tenha lido todas as edições. Mas ter uma super biblioteca, daquelas intocadas e que ninguém tem acesso, não acho assim tão válido. Também tenho alguns livros que comprei por impulso, que estão lá quietinhos, esperando serem lidos…

    • Tamie says:

      Também tenho vários livros me esperando, alguns são apenas para folheio e estudo aleatórios (principalmente os de design). Mas respeito cada um, os não lidos e os lidos. Os que leio e gosto muito são guardados. Os que são “ok” prefiro passar adiante…
      Acho que a Antibiblioteca é bem isso que você definiu, uma grande fonte de pesquisa.

  3. Pat says:

    Concordo, em partes.Meu comentário é épico, mas amiga pode né?
    Você me conhece. Eu estou juntando um acervo pessoal de livros faz anos – em particular ficção científica, eu sempre compro mais ficção científica do que outros livros, porque são os livros mais baratos e mais subestimados pelos sebos – estão escondidos nos cantinhos, ignorados porque não tem uma capa com poster de filme, ainda que exista um filme (ou talvez vá existir, eventualmente), mas não significa que eu leio todos esses livros no minuto que eu compro, eu até tento, mas é preciso ser a hora certa, entende?

    Livros são MUITO MUITO CAROS, o que eu posso comprar no momento são os livros ignorados interessantes que eu acho por 4 reais nos sebos. Ou me permitir alguma coisa de 25/30 vez ou outra quando eu quero muito. Então sim, de certa forma eu tenho uma mini biblioteca pessoal de livros futuros. E sim, é muito interessante livros como meio de pesquisa, pra você responder uma pergunta no momento que ela aparecer, e não apenas responder perguntas que não foram feitas ainda, mas ai eu penso:
    Livros são pra moldar você e se tornar parte de quem você é. Se você deixa os livros fora de você e consulta eventualmente sem pretensão de realmente lê-los, vai que um dia você perde sua biblioteca num estilo Alexandria onde tudo vira marshmallow torrado? O que vai importar é o que você levou com você.

    • Tamie says:

      Pat, sobre ficção científica, você tem de Asimov, Arthur C. Clarke e afins? Tenho uma amiga de Bauru que adora eles :)
      Eu sei que não é muito legal mas adoro livros bonitos, com capa dura, papéis diferentes… Os da Folio Society então, aqueles ali partem meu coração :~
      Se pudesse, na verdade eu manteria uma edição vintage e uma contemporânea de cada um dos meus preferidos <3

  4. eu adorei Funny Face, tive que assistir duas vezes – consecutivas- uma para ver o filme mesmo e outra pra ver os looks e os cenários haha, much love. o próximo que vou assistir é My Fair Lady, estou vendo a filmografia da Audrey, da Bette Davis e do Marlon Brando, imagina… é uma quantidade de filmes absurda, mas já estou bem avançadinha neles, estou dando preferência aos da Audrey agora.
    um desses de transformação que eu gosto bastante, mas que não dá tanta ênfase digamos assim para as mudanças é A Star is Born de 1938, a gente vai acompanhando em segundo plano as transformações da personagem ^^

    :* Tamie, boa semana.

    • Tamie says:

      Anotei aqui a indicação e já quero muito ver :) Sempre que quiser me indicar algum, não hesita, hein?
      Já viu Some Like it Hot? Virou um dos meus queridinhos.

  5. Olá! Interessante o texto. Muito mesmo. Isso me conforta, pois tenho muitos livros não lidos e sempre tenho vontade de ter mais um.

    Agora, sobre os comentários, concordo com a Pat. Os livros aqui no BRASIL são muito caros e é por isso que a maior parte da população prefere ver novela.

    Outra coisa que tem me “irritado” é a quantidade de livros tendenciosos à venda. Muito do mesmo. Muitos vampiros e muitos romances água com açúcar e muito auto-ajuda. Não que eu não goste ou não que eu não os leia, mas a impressão que me passa é que é tudo por dinheiro. Sempre tenho um pé atrás com esse tipo de literatura…

    Um beijo, Pri.

    • Tamie says:

      Eu passo longe de prateleiras duvidosas, sempre. A internet e os amigos continuam sendo as melhores fontes de achados literários.

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