A Antibiblioteca

“O escritor Umberto Eco é proprietário de uma grande biblioteca particular (contendo 30 mil livros), e separa as pessoas que o visitam em duas categorias: Aqueles que reagem com “Uau! Signore professore dottore Eco, que biblioteca o senhor tem! Quantos desses livros o senhor já leu?”, e outros – uma pequeníssima minoria – que entendem que uma biblioteca particular não é um acessório pra levantar o ego do seu proprietário, mas uma ferramenta de pesquisa.

Livros não lidos não são menos importantes do que livros já lidos. A sua biblioteca deve conter mais o que você ainda não sabe do que você já sabe. Você irá acumular mais conhecimento e mais livros à medida que envelhece, e o número crescente de livros não lidos em sua prateleira será ameaçador.

Sem dúvida, quanto mais você sabe, maior sua lista de livros não lidos. Vamos chamar essa coleção de livros como uma antibiblioteca.

Nós tendemos a tratar o conhecimento como uma propriedade pessoal que deve ser protegida e defendida. Ele é um ornamento que nos permite subir na hierarquia social. Assim, essa tendência a ofender a sensibilidade da biblioteca de Eco concentrando-se no conhecido é uma parcialidade humana que se estende às nossas operações mentais.”

Nassim Nicholas Taleb, A lógica do cisne negro